Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Sisifo
...
Quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Desparecimento
Ia rumo ao Peru. O avião acabara de levantara voo. Ainda sobrevoávamos terras Portuguesas, quando decidi, sem motivo aparente pôr-me de pé. Já em pé, decidi ir à casa de banho. Dentro da casa de banho, olhava-me ao espelho. De repente, deixei de me ver. Assustei-me. Sai de lá a correr. Ao pé da minha mãe, chamei, chamei, chamei e voltei a chamar. Nada! Nem sequer um “qu’é que queres?”. Achei divertido, mesmo sabendo que poderia ficar assim para sempre. Decidi aproveitar aquele momento, e depois lá se via o que podia fazer.
O piloto era a primeira pessoa que iria visitar. Assim foi. Passei por portas, pelos corpos das pessoas, pelos bancos, até que lá cheguei. Decidi, pregar umas partidas aos presentes. Segurei numa espécie de volante de avião, e fiz uns manejos dignos de grandes profissionais. Ninguém se assustou.
Tirei comida às pessoas. Elas não se intrigaram. Finalmente percebi que estávamos em mundos separados. Mesmo assim decidi que a minha viagem até à “velha montanha”, não seria enfadonha, como todas as outras. Dei meia volta e encontrei-me. Continuava com os auscultadores nos ouvidos e com uma revista na mão. Começava a perguntar-me sobre a minha identidade. Não interessava. Nada me impediria de ter animação. Ou não a minha “desaparição” não durou muito mais tempo. Voltei ao que era.
- Que querias há pouco? – interrogou a minha mãe.
Cada vez achara mais estranho o que me acontecera.
- Nada. – respondi, como se estivesse a fugir da resposta.
Nunca mais aconteceu. É pena
Felicidade
Pequenos momentos,
Momentos felizes.
Como alimentos,
Que nos tornam petizes.
Nutrem singelamente.
Força nos dão,
E nos fazem esquecer
O que nos aperta do coração.
Pouco a pouco
A vida nos dá,
Tempos como estes,
Que nos fazem esperar.
Libertar a alma.
Rir e sorrir.
Dizer coisas sem sentido,
Que nos fazem florir.
E esperar...
Esperar
Até nos cansar
E ir ao encontro dela.
Amanhecer
O amanhecer começa...
Tu despertas
E o teu olhar desponta
Uma lagrima cai
E faz:
"Piim, Piim, Plim"
O teu coração fala,
Fala de ti
O teu coração bate,
Bate por ti...
E tu,
E tu amanheces
Como que uma flor desabrochar.
E voltas,
Voltas a deitar
Na cama rude e crua
Cama,
Que te faz chora
Quinta-feira, 10 de Maio de 2007
Desmaterializar
Pés assentes no chão
Cabeça erguida
E vistosa
The crow
Não!
Gabiru
Voar como ele
Como ele viajar
Tirar os pés do
Chão
E voar
Levar a alma
Onde quiser
Levar a cabeça onde puder
E voar
Voar até cansar
Voar mesmo que não possa
É livrar-me
Deste chão
Que me prende
Até ficar apegado
Aqui no chão
Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Fim de dia folgado
Fim de dia folgado
Tinha acabado de chegar da escola. Estava estafado mas ainda tinha que fazer imensas coisas. Era estudar, era fazer os trabalhos, era tudo...
Subi ao quarto, para fazer os meus afazeres. Peguei nos livros e comecei por ver o que tinha para fazer. Um pouco constrangido pelo horário sobrecarregado da escola, que sendo assim não tinha tempo para nada, para além da escola, comecei a fazer o que me competia.
Nesse dia sentias-me observado pelas coisas que me rodeavam. Aquelas coisas, a que não damos valor nenhum, pareciam que me observavam. Pus tudo aberto e pronto para começar a trabalhar, mas faltava uma caneta de cor que tanta falta me fazia, para aquele trabalho. Fui procura-la. Encontrei-a rápido. Fui para o quarto. Sentei-me e olhei para o caderno. Estava tudo feito! Eu, não tinha sequer começado a escrever, e agora aparecia tudo feito? Estranho, é certo. Os meus sentimentos uniam-se e transformavam, intriga, medo e desconfiança num só. Era demasiado estranho para eu perceber. Em casa, estava só eu. Mais ninguém com vida ali estava... ou não.
Sentindo o meu sentimento, a minha lapiseira, que me acompanhava nas aulas desde o início do ano, falou. O meu medo cresceu ainda mais.
- Ei! Aqui! – começou a conversa, a minha lapiseira.
- Onde? – inquiri eu com uma certa arrogância que me saíra na vos, sem contar.
- Olha para o caderno.
Olhei.
- Que fazes ai? – interroguei eu, vendo o meu lápis-de-minas em pé.
- Foste tu que me puseste aqui. – respondeu, ele com uma certa perspicácia.
- Não te pus a pé, nem te dei vida. – respondi eu no tapa-tapa que ali se estava a impor.
- Fizeste por isso.
- Como? – perguntei eu, agora sem o medo, mas ainda com a intriga e desconfiança.
- Não querias fazer isto, pois não?
- Não. Obrigada. Como sabes isto?
- Isto, o quê? – perguntou a minha lapiseira, que já não estava a gostar muito do interrogatório.
- A matéria.
- Ando na escola. Agora, adeus.
- Espera! – pedi eu na esperança de ainda a voltar a ouvir. Não deu resultado.
Nesse dia, não pensei mais nisso. De manhã, ao chegar à escola, todos elucidaram o seu caso. Todos a mesma coisa. Parece, que finalmente tivemos um dia de descanso.
Sexta-feira, 30 de Março de 2007
Resumo - A floresta
Título: “A Floresta”
Autora: Sophia de Mello Breyner
Editora: Figueirinhas
Data Páginas
25/01/07..................................5/14
01/02/07.................................15/25
06/02/07.................................26/78
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Resumo
"A Floresta"
Isabel morava numa quinta, bela quinta. Esta estava cercada de muros e no seu interior, havia lagos, fontes, pomares... Cada lugar era mais agradável do que outro.
Isabel adorava anões. Passou toda a sua vida a pensar em anões. Quando era mais pequena passava dias e dias no parque, no bosque e no pinhal à procura dum liliputiano. Espreitava atrás das moitas e nos buracos. Mas nunca encontrou nenhum. Convenceu-se que eles não existiam,... mas só até ao dia em que encontrou um. O anão, a medo lá ficou amigo de Isabel, e a partir daí contou-lhe coisas fascinantes.
Entre essas coisas, que ele lhe contou, o anão, narrou-lhe uma história surpreendente, que o tinha marcado, quando era novo, e que o assustava agora. A história de dois assaltantes, que tomaram de assalto uma floresta e todos os que lá passavam e também dois frades que embora não tivessem nada, serviam de curandeiros para eles. Assim, durante anos e anos os larápios foram enriquecendo. Até um dia, em que os assaltantes ficaram velhos e cambaios. E a roda da fortuna virou. Uma das vezes assaltaram um mercador riquíssimo, que apanhou os assaltantes de surpresa e deles só se salvou o capitão. Na hora da sua morte, já longe do local do crime, um frade presenciou a sua morte, e o capitão concedeu-lhe toda a sua fortuna, para este entregar a alguém com bom coração e que não se deixasse destruir pelo poder do dinheiro. Mas bem que esse pedido não se realizou.
O tesouro ficou guardado para todo o sempre, debaixo de terras, até aos dias de hoje. Com os frades mortos, os anões ficaram encarregues de entregar o tesouro, mas agora, tudo dependia do anão que Isabel encontrou, pois os outros, todos partiram. Isabel tivera uma ideia a quem entregar o tesouro, ao Cláudio, seu professor de música. Este era muito bondoso, mas não aceitou. Mas teve uma ideia, a de dar as moedas ao Doutor Máximo, que estava a trabalhar em transformar pedras em ouro. Como a experiência não estava a resultar e o doutor não sabia, os três resolveram pôr lá o tesouro. Houve muitas complicações pelo facto do doutor ter supostamente descoberto a fórmula. Mas tudo incendiou. A fórmula, os livros, tudo o que o doutor precisava tinha ardido. Todos ficaram satisfeitos, e o anão voltou para junto dos seus amigos.
Resumo - O guarda da praia
Autor: Maria Teresa Maia Gonzalez
Título: O Guarda da Praia
Editora: Verbo
Data Páginas
26/03/07........................7/26
27/03/07.........................27/143
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Resumo
"O Guarda da praia"
Uma escritora estava a redigir um livro. Foi em busca do sossego, mas quando chegou a uma casa na praia que uma amiga lhe indicara, teve uma grande estranheza, um rapaz (Dunas), não a largava nem um segundo.
Numa dessas vezes, perguntou-lhe o que escrevia. Ela respondeu que era sobre uma mulher que vivia no alto de um prédio, situado numa cidade escura. Ele proferiu porque não escrevia antes sobre o mar. Ela contradisse. Ficaram amigos.
Dunas foi-lhe ensinando várias coisas essenciais à vida. Este adorava o mar e tudo o que estivesse relacionado com ele. Dunas vivia com a sua avó, boa mulher, mas no que tocava a hospitais e vacinas era controversa. O neto nunca tinha apanhado nenhuma vacina, além daquela que tomou sem a avó saber. A avó curava-o de tudo o que existisse. Era caso para dizer que era um génio na medicina antiga.
Só uma coisa assustava Dunas. O velho da mata. A escritora, cheia de dúvidas foi até à mata conhece-lo. Parecia-lhe familiar, mas não conseguiu descortinar quem era. A autora enchia-se de dúvidas quanto a Dunas. E ainda para a intrigar mais, esta tinha uma concha exactamente igual à do rapaz.
Escritora e velho da mata, num novo encontro, trocaram falas e numa destas, o velho da mata sem querer diz que é o avô de Dunas e uma coisa que assustou um pouco a escritora. O facto do avô do rapaz ao olhar para ela ver os traços da madrasta de Dunas, que entretanto falecera.
Passado dias, o avô do rapaz morre num incêndio, a escritora acaba o livro e parte deixando assim, Dunas, o guarda da praia sozinho outra vez.
Rei d'outros
Rei d’outos
- Onde vais? – inquiriu a minha mãe, sempre a querer saber onde ia.
- Para o quarto! – respondi eu, num tom bem alto, já que a minha mãe se apresentava longe.
Como seria normal num dia de semana, eu pegava nos livros, fazia os trabalhos de casa e estudava um pouco. Dessa vez foi diferente.
Não sei porquê olhei-me ao espelho e vi um ponto com as cores do arco-íris. Um ponto bem pequenino. Toquei-lhe, e ele depressa se expandiu. Dei um salto para trás, mas nem isso moveu uma criatura estranha de me aspirar para dentro do espelho.
Estava com medo! Muito medo! Mas por ver lá uma pessoa como eu, o medo diminuiu. Mas não muito. Tentei aproximar-me do humano lá existente, mas ele num segundo afastou-se de mim a sete pés.
Nunca tinha visto criaturas assim. Nem sequer eram parecidos com o nosso imaginário de um extraterrestre. Nenhum desenho animado tinha representado seres assim. Eram criaturas
que a sua existência era impossível! Não tinham órgãos para a sua subsistência. Não tinham tronco, nem membros inferiores. O que tinham era comparado a um fio de lã. Os pés eram simplesmente bolas. A sua cabeça era somente um óvulo castanho, sem nada que os impossibilitasse de ouvir, ver, ou até mesmo falar! Os membros superiores eram unicamente um fio, bem fino que nas pontas se enrolava.
Como seria de esperar estes seres não andavam. Locomoviam-se rebolando-se por uma espécie de chão viscoso. O silêncio ali era profundo, nem uma mosca se ouvia, não as havia é certo. Um silêncio que incomodava. Os espaços verdes eram inexistentes. As grandes fábricas eram inexistentes. Os objectos imóveis eram inexistentes. Os seres vivos para além deles eram inexistentes. Nada havia. Somente eles, eu e o outro humano.
A dúvida que havia em mim, sobre a razão que os levara a trazer-me ali, cada vez mais se instalava e o medo ia diminuindo aos poucos.
De repente, uma criatura trouxera-me um livro. Achei estranho, mas mesmo assim tentei ler. Foi inútil. Não havia uma língua assim à face da Terra. O ser humano aproximou-se e leu aquilo em inglês. Não consegui perceber tudo, mas o essencial sim. “A profecia está escrita. O poder cairá sobre ti, se mudares o teu mundo”.
Nesse instante fui estirado para fora, pela mesma criatura que me sugara.
Há dez anos fora assim. Agora tenho o poder sobre aquelas criaturas e o mundo deles já se assemelha o nosso. Menos numa questão. Eles até podem não ser como nós, mas não poluem o que lhes dá vida.